terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Se o Mundo não acabar, como será o dia seguinte?


Falar no Fim do Mundo é como não acreditar na própria existência, não ter esperança de fazer da sua vida algo melhor para si e para os outros. Projetar o fim dos tempos, como muitos projetam, nesta sexta-feira (21), seguindo uma suposta profecia, é não acreditar na vida; em Cristo Jesus; no convívio do ser humano com tudo o que lhe cerca de bom e de melhor, criado por Deus. Falar em Fim do Mundo, como esse acontecimento fosse tratado como uma mercadoria com prazo de validade; como a data definisse o momento pelo qual deveríamos agir de modo diferente para que obtivéssemos a salvação eterna é, se não mero idiotismo fruto de mentes pobres e de pouca fé.
Acaso, o Mundo terminasse numa data pré-definida, quem de nós se salvaria do julgamento Divino? Acaso, conseguiríamos esconder no Fim do Mundo nossas vergonhas ou pouca-vergonhas? Acaso poderiam, mesmo os mais afortunados esconder-se em abrigos anti-bombas? Na Lua, que fosse? Ou acaso, Deus que negou através de Jesus Cristo, esta mesma revelação aos Apóstolos, por saber do peso que este acontecimento traria à mente dos homens daquela época , poderia deixar de acreditar na sua obra?
Ao acreditar no Fim do Mundo, na sua simbologia creditada agora à cultura Maia, antes a Nostradamus, é no meu ponto de vista, uma forma equivocada de deixamos de acreditar que podemos ser melhores. Deixamos de contemplar a vida em sua plenitude. Deixamos de dizer uma palavra de bondade, de conforto a uma pessoa em tristeza, deixamos de fazer carinho a uma criança, um idoso, à família, de deixamos de sorrir, de acreditar na vida propriamente dita.
Portanto, antes de darmos valor a factóides e catástrofes infundadas, poderíamos voltar-se para dentro de si e ver o quanto ainda temos de melhorar como seres humanos e acreditarmos mais em tudo o que Deus fez e faz por todos nós. O dia 21 vai passar de modo alegre como todos os outros e no sábado (22), os fundamentalistas e negativistas de plantão vão se deparar, no espelho, com a própria face e deverão dizer o quê? “Put´z, não acabou? O que devo fazer agora? E, esta minha merda de vida, o que faço com ela agora? As pessoas não irão mais acreditar em mim!” É o meu fim!
Acredite mais em si e em tudo o que o Senhor Deus nos dá em abundância: que é conviver com as pessoas, animais, a natureza e, faça do dia seguinte ao ‘Não Fim do Mundo’, uma chance de modificar suas atitudes para sim, quando esta data realmente vier, estejamos bem melhores que hoje! Daí sim, o buraco será mais em baixo!  

Bira Costa

   

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012


Dunga é a cara do Inter para 2013

O Internacional anuncia nesta quarta-feira (12/12) para toda a imprensa em entrevista coletiva, às 17h, no Hotel Millenium, em Porto Alegre (Av. Borges de Medeiros, 3120), após longa negociação, o ex-técnico da Seleção Brasileira, e ex-atleta Dunga.
Na oportunidade, o presidente Giovanni Luigi apresentará oficialmente uma das mais longas negociações de técnico do time colorado.
Assim como o restante da comissão técnica para a temporada 2013. Os nomes já oficializados são de Marcelo Medeiros e Luis César Souto de Moura que serão os diretores de futebol. Já Newton Drummond, o Chumbinho, será o novo executivo de futebol. Paulo Paixão, que estava no clube adversário, Grêmio deverá ser o novo preparador físico e Andrey Lopes o auxiliar técnico.
Não há definição sobre o cargo de preparador de goleiros até o momento.
A aposta, como veem muitos torcedores, aliás, nas redes sociais, onde pipocam as mais diferentes opiniões sobre o novo treinador colorado apontam para um profissional despreparado, desconfiado, turrão, porém com o perfil que o Inter mais precisa neste momento, em que deixou uma péssima imagem aos seus torcedores no Brasileirão de 2012 e, com dunga, projeta uma nova temporada de conquistas para 2013.
Penso que Dunga é um profissional daqueles que não precisa fazer “gracinhas” com a imprensa para receber elogios. Ele é pragmático, técnico e ortodoxo em seus pensamentos. Não quero dizer que o novo treinador seja burro, inflexível, pelo contrário pensa futebol de um modo prático e simples; pouco inventa. A garra em campo que tanto lhe marcou, positivamente e negativamente, são virtudes que os torcedores colorados perderam no transcorrer desse ano que passa.

O fôlego novo que Dunga pode dar aos vestiários do Internacional, tendo às mãos um grupo de atletas qualificadíssimos, com a ausência de apenas poucos valores, pode sim, dar ao clube a segurança para que em 2013, o time retome o rumo das vitórias e volte a vencer. Agora que Inter e Grêmio têm em mãos estádios moderníssimos: a ARENA e em 2013, até setembro, o novo Gigante Para Sempre, deve deixar de serem vistos como coadjuvantes nos torneios que vão disputar. Se contentar com vagas, apenas, é muito pouco. Rancor à parte, por conta do que ocorreu com o Dunga no passado é só uma forma pequena de não enxergar o futuro que se avizinha; uma forma de não pensar pra frente. Que o grupo de atletas do Inter assimile a chegada do novo comandante e, que Dunga faça as mudanças que deve fazer no vestiário. Refuto a velha história de que Dunga poderá ser queimado como ocorrera com outros ídolos. Cada um tem sua história. Dunga tem a cara da virada que o Inter precisa e, não devemos assimilar as tendências, as preferências que por vezes à Mídia faz nos jornais e nos microfones, por este ou aquele treinador que vem, pega a grana do torcedor, não conquista nada. Garantia de vitórias ninguém traz consigo. Que a Nação Colorada abrace o Dunga e dê a ele o tempo devido para vencer.

Quem é Dunga:
Gaúcho de Ijuí, Carlos Caetano Bledorn Verri, mais conhecido como Dunga, iniciou sua carreira no Internacional, clube que defendeu entre 1983 e 1984. Volante de forte imposição física, passou por Corinthians, Santos e Vasco antes de atuar no futebol europeu e asiático. Voltou ao Inter em 1999 e marcou importante gol sobre o Palmeiras, pelo Brasileirão do mesmo ano, garantindo permanência na Série A. Na Seleção Brasileira, como jogador, Dunga ficou marcado pelo seu espírito de liderança, tendo como grande momento a conquista do tetracampeonao mundial, em 1994, nos Estados Unidos. Em 2006, assumiu o comando técnico do Brasil. Conduziu o time nas conquistas da Copa América de 2007, da Copa das Confederações de 2009 e do bronze olímpico em Pequim (2008). Deixou o cargo após a Copa da África do Sul, em 2010.
Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.
Dunga tem ascendência alemã e italiana.[2][3] Como jogador, sua maior conquista foi a Copa do Mundo de 1994, disputada nos Estados Unidos, sendo o capitão da equipe. Como treinador, teve sua nomeação para ser o técnico do Brasil em 24 de julho de 2006, conquistando a Copa América de 2007 e a Copa das Confederações de 2009.
Como jogador, Dunga sempre chamou a atenção pela liderança em campo. Volante duro na marcação, não hesitava em tentar lançamentos para os companheiros da frente, nem em desferir potentes chutes com a perna direita.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dunga


*Radialista DRT/RS 9299
Acadêmico de Jornalismo/Unisinos
 Cronista Esportivo/Matric. 4111



ARENA do Grêmio: o futuro começou!
*Bira Costa

Sim! É tudo “Monumental” na nova casa do Grêmio. Aliás, vamos corrigir o nome: ARENA do Grêmio. É assim que o novo espaço esportivo, multiuso, inaugurado no sábado (8), com pompas e circunstâncias será chamado de agora em diante, por nós gaúchos.
Tive a grata satisfação profissional de mais uma vez participar de um grande evento esportivo internacional. Cheguei bem cedo em Porto Alegre, para que tivesse tempo suficiente de me organizar com meus colegas do Laboratório de Jornalismo Esportivo da ACEG (Associação dos Cronistas Esportivos Gaúchos do RS), para cobrirmos para o site WWW.chute10.net todos os detalhes deste momento inesquecível aos tricolores.
A Capital gaúcha estava fervendo, tanto de calor, quanto o movimento todo respirava os ares da grande festa, a qual, até seu início, era envolvida numa cortina de mistérios. Deslocando-me para lá, tão logo chegamos às imediações, eram 16h30, precisamente. O movimento de torcedores contagiava quem ia trabalhar na transmissão como eu; sobretudo, ficava difícil de separarmos o aspecto emocional que emanava dos mais de 60 mil torcedores.
Entramos na ARENA pelo lado Oeste, em direção à Central de Imprensa. Contudo, reparei que muitas coisas estão por fazer ainda no novo estádio. Tudo é gigantesco, bem dimensionado, organizado. Havia muitos espaços vagos, como de salas que em breve devem ser ocupadas. Sabemos que a inauguração fora apressada em virtude da troca de presidente do tricolor; Odone que sai, tinha pressa em guardar seu nome para a posteridade. Enfim...
Até a hora do espetáculo de corte da fita inaugural, muitos jornalistas de todos os veículos de comunicação do RS e do país, além da América Latina estavam ainda perdidos, nas novas acomodações. Mas tudo fora se ajeitando com o tempo. Nas novas poltronas de honra onde ficaremos agora nos jogos, tudo é confortável, um pouco de aperto entre elas, mas bem pensado.
O espetáculo foi um acontecimento digno de Olimpíada. Muitas histórias foram contadas pela imprensa, enquanto tudo acontecia. Será um momento inesquecível para muita gente que teve a sorte e grana para assistir a tudo isso. Sobretudo, a ARENA fora concebida como um novo ponto turístico da capital.
Lamentável a desordem por parte dos torcedores da Geral. Isso manchou o evento. Contudo a BM contornou com competência. Em campo, o Grêmio e o Hamburgo que estreavam o gramado fizeram uma partida também festiva. Nada melhor do que uma vitória. Mais o time de Vanderlei Luxemburgo, que se mostrou preocupado com a dimensão de tudo, disse que sem time, a nova ARENA não terá o que comemorar nos próximos anos.
Ele em razão; o grupo de atletas para a temporada de 2012 dera para o gasto. Para 2013, o Grêmio deve pensar do tamanho da ARENA: grande e com ousadia. Do contrário, a torcida que agora, fica literalmente, no ouvido do jogador e do treinador, fará um barulho muito maior que o normal.
Os gremistas, por fim, estão de parabéns. Agora, uma nova história deverá ser escrita. Um novo futuro começou. Sucesso!
*Radialista DRT/RS 9299
Acadêmico de Jornalismo/Unisinos
 Cronista Esportivo/Matric. 4111

domingo, 2 de outubro de 2011

Sobrevivência e morte nas redes sociais

Homens armados pararam o trânsito e despejaram 35 corpos, em plena hora do rush, em uma passagem próxima a um centro de compras muito frequentado por turistas na violenta cidade mexicana de Veracruz, na semana passada. Antes da chegada da polícia ou da imprensa, já pipocavam no Twitter mensagens com informações sobre a audácia dos bandidos.
“Evitem a Praça Las Américas”, escreviam alguns internautas. “Há homens armados. Não são soldados, seus rostos estão cobertos por máscaras”, ressaltavam outros. Relatos como estes se tornaram comuns no México no último ano, especialmente em regiões violentas onde o trabalho da imprensa é prejudicado pela pressão de narcotraficantes e governos corruptos.
Curiosamente, no mesmo dia do grande fluxo de mensagens por conta dos corpos despejados na rua, a Assembléia Legislativa do estado de Veracruz criminalizou o uso do Twitter e outras redes sociais para “perturbar a ordem pública”.
É a primeira lei deste tipo no México, e pelo menos outro estado, o de Tabasco, considera adotar medida similar. O medo das autoridades é o poder das redes online em disseminar o pânico no país. Em agosto, duas pessoas foram processadas em Veracruz por terrorismo depois que mensagens suas no Twitter – sobre um falso boato que dizia que as escolas da cidade estavam sendo atacadas – provocaram pânico entre pais, que saíram às ruas para buscar os filhos. Na ocasião, o secretário do Interior do estado de Veracruz, Gerardo Buganza, afirmou que houve pelo menos 26 acidentes de trânsito, e diversas pessoas, por conta dos engarrafamentos, largaram seus carros no meio da rua.
Ferramenta de segurança
Ainda que haja, desta forma, o risco de falsos boatos provocarem pânico em regiões fragilizadas pela violência, muitos mexicanos vêem as mídias sociais hoje como uma necessidade para o país. Enquanto em países como Egito e Síria, ou na China, as redes são usadas como um caminho para driblar as fontes de repressão e unir pessoas por uma causa, no México elas se tornaram ferramentas que auxiliam a população a sobreviver em meio aos perigos locais. As mensagens enviadas pelos mexicanos “não são tentativas em tempo real para conseguir mudanças no governo”, avalia Nicholas T. Goodbody, professor de estudos da cultura mexicana no Williams College, no estado americano de Massachusetts. “Estas pessoas estão tentando guiar sua rotina”.
“A mídia social está preenchendo uma lacuna deixada pela imprensa”, diz Andrés Monroy-Hernández, aluno de doutorado no M.I.T. Media Lab. “Em diferentes regiões do México, tanto o estado quanto a imprensa são fracos, enquanto o crime organizado se torna mais forte e, em alguns lugares, substitui o estado”. Hoje, o México é um país extremamente perigoso. Nos últimos cinco anos, cerca de 40 mil pessoas foram mortas na guerra do narcotráfico. Ao mesmo tempo, o país observa o crescimento da classe média, acuada pela violência e “armada” com computadores e telefones celulares. Há mais de 30 milhões de internautas (com acesso regular à web) no México – 95% destas pessoas têm perfil no Facebook. O Twitter tem mais de quatro milhões de usuários. Há ainda diversos blogs e sites dedicados a cobrir, com a colaboração de leitores, a violência espalhada pelo país.
Muitas das informações mórbidas e assustadoras espalhadas pelas mídias sociais não são encontradas na imprensa tradicional. Muitos mexicanos dizem que confiam mais no Twitter do que nos veículos de imprensa locais, e muitos pais e avós estão aprendendo com seus filhos e netos a mexer na internet com o objetivo específico de ampliar sua segurança.
Há muitas contas anônimas no Twitter voltadas a fornecer informações úteis sobre criminalidade e violência. Anonieta Salazar Loftin, aluna de doutorado em história mexicana na Universidade do Texas em Dallas, diz que estas contas prestam um serviço público necessário. “Elas preenchem a necessidade de informação de uma maneira imediata e acessível e, em um nível psicológico mais profundo, fornecem algum conhecimento e certeza em meio à incerteza”, analisa.
A lei de Veracruz é voltada especificamente a boatos falsos que criem pânico desnecessariamente. Mas a instantaneidade e a impossibilidade de se checar dados e fatos contidos nos relatos das redes sociais fazem com que ela se torne perigosa para pessoas bem-intencionadas que compartilhem informações que possam estar erradas. Para muitos mexicanos que acompanham as consequências da guerra do narcotráfico via Twitter, o compartilhamento de informações sem regulação é mais benéfico do que danoso para a população. Alertas digitais sobre tiroteios e postos de controle dos carteis ajudam a salvar vidas, dizem eles.
Novo alvo
Mas a situação não é tão simples. À medida que passaram a prestar um serviço de utilidade pública, os internautas também se expuseram àqueles que mais temem. Há pouco mais de duas semanas, um homem e uma mulher na faixa dos 20 anos foram encontrados mortos, pendurados em uma ponte na cidade de Nuevo Laredo, com um aviso preso a seus corpos: “Isso vai acontecer a todos os traidores da internet”. Uma terceira pessoa foi encontrada dias depois com uma nota que afirmava que havia sido morta por causa de postagens nas redes sociais.
E assim, os carteis de drogas, que tanto intimidaram e silenciaram a imprensa e a polícia, agora ameaçam a liberdade na internet. Diante do novo risco que correm, estes internautas já começaram a tomar cuidados. “As pessoas estão se unindo e expondo a verdade”, diz um deles. “Uns cuidam dos outros”.
Apesar da nova lei que pune falsos boatos, na semana passada o governador do estado de Veracruz, Javier Duarte de Ochoa, concedeu o perdão aos dois tuiteiros processados pelas mensagens sobre os ataques às escolas. Ochoa foi além e anunciou a decisão no próprio Twitter. A ação do governador pode servir de sinal de mudança no comportamento das autoridades diante das redes sociais: elas estão aprendendo a lidar com elas, ou, pelo menos, a tolerá-las. Informações de Damien Cave [The New York Times, 24/9/11]
(Tradução e edição: Leticia Nunes)
Jovens jornalistas, criados com os lobos

Tinha menos de dois anos de formado o jovem repórter da Veja que tentou invadir o apartamento de José Dirceu no Hotel Nahoum. Pelo que soube em Brasília, voltou para a casa da mãe.
Não sei a idade do repórter da Folha de S.Paulo que iludiu a confiança do tio, no caso Battisti. Mas foi exposto de forma fatal pelo próprio tio, em um artigo demolidor. E inspirou um artigo da ombudsman do jornal, no qual afirmava que era ingenuidade confiar em jornalistas. Tornou-se exemplo de como não se deve confiar em jornalistas. Dificilmente conseguirá fontes dispostas a lhe passar informações relevantes.
A campanha eleitoral do ano passado expôs outros jovens jornalistas, alguns com belo potencial, mas que tiveram a imagem afetada no alvorecer de suas carreiras por conta de métodos inescrupulosos empregados em suas reportagens. Culpa deles? Apenas em parte. Esse clima irracional foi fomentado por chefias que não se pejaram em jogar os repórteres aos lobos.
Processo semelhante ocorreu na campanha do impeachment, mas com resultados inversos. Uma enorme quantidade de mentiras divulgada, aceita pelos editores e pelos leitores sob o álibi de que valia qualquer coisa contra Collor. Foi um período vergonhoso para a mídia, no qual os escândalos reais não eram apurados, mas divulgava-se uma enxurrada de mentiras que não resistiam a um mero teste de verossimilhança. Dizia-se que Collor injetava cocaína por supositório, que ficava em estado catatônico e precisava ser penetrado por trás por um assessor, que fazia macumba nos porões do Alvorada.
Jornalismo declaratório
Os que mais mentiram se consagraram, ganharam posições de destaque em seus veículos. Premiou-se a mentira e a falta de jornalismo porque os escândalos reais demoravam mais para serem apurados e nem de longe de aproximavam do glamour da notícia inventada. Processo similar ocorreu durante e após a campanha do mensalão. Surgiu uma nova geração de repórteres sem limites, hoje em dia utilizados pelas chefias para atingir adversários através da escandalização de fatos normais.
Agora, em plena era da internet, ocorre o inverso. Esses jovens ambicionam a manchete, a aprovação das chefias, o curto prazo. Mas o registro de seus malfeitos estará indelevelmente registrado na internet. A médio prazo, será veneno na veia para suas carreiras. Pior, está-se criando uma geração de jornalistas para quem o jornalismo virou um vale-tudo: vale mentir, inventar, enganar, espionar, supor sem comprovar.
A reação de Caco Barcelos na Globonews nada teve de política ou ideológica – no programa sobre a tal Marcha Contra a Corrupção, depois editado para tirar suas afirmações mais impactantes contra o mau jornalismo. Ao denunciar esse jornalismo declaratório, simplesmente fazia uma defesa do jornalismo que aprendeu a praticar, de respeito aos fatos, de apuração das denúncias, de cautela nas acusações.
O velho jornalismo legitimador
Em muitos outros jornais há uma geração de jornalistas mais velhos formados sob esses princípios, mas que a falta de opções obriga a se calar ante tais abusos. Há igualmente uma jovem geração saindo do forno das faculdades que entendeu a diferença entre os princípios jornalísticos e esse arremedo que a era Murdoch lançou sobre a mídia mundial – especialmente sobre a brasileira. No final dos anos 80, quando a mídia brasileira abraçou o jornalismo sensacionalista, considerava-se ter entrado em linha com os grandes veículos globais – para quem a notícia é espetáculo, não serviço público.
Nos últimos anos, Roberto Civita importou de forma chocante o padrão Murdoch para a mídia brasileira – rapidamente imitada por outros jornais carentes de personalidade jornalística própria. A cada dia que passa, esse estilo – ainda que influenciando setores mais desinformados – parece cada vez mais velho e anacrônico.
Muitos dizem que o problema da velha mídia é não saber como se colocar nas novas tecnologias. Penso que é outro: é ter desaprendido as lições do velho jornalismo legitimador.
[Luis Nassif é jornalista]

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Ordem unida às avessas

A não formalização de uma legislação que regule o uso de veículos públicos oficiais em eventos, como ocorrido no 7 de setembro, em diversos Municípios, deixa uma lacuna; um precedente estranho e perigoso, o qual dribla a inteligência da população. No Artigo 37 da Constituição Brasileira, consta que a "Administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência." No entanto, perfilar a frota pública, pelas ruas das pequenas e sempre "falidas" cidades: lavados, enceirados e de tanque cheio, às custas dos impostos do cidadão, em eventos de puro caráter Cívico, os quais deveriam estar desvinculados da promoção pessoal, político e partidária, como preconizado pela C.F/88, soa, mais uma vez, oportunismo e malandragem ao estilo tupiniquim. A "maquiagem" pública municipal, no aparato governamental, famoso "tapa" no visual, como queiram, em datas festivas, confundem-nos do real sentido de espírito Cívico Brasileiro. Este ano, o tema da Semana da Pátria foi: "Padre Landell de Moura - 150 anos a espera do reconhecimento. Estadual: Legião da Boa Vontade - 61 anos de educação ecumênica e fraternidade." Vimos nas avenidas do Rio Grande do Sul e do Brasil, crianças encenando o tema, brilhantemente, assim como entidades, clubes de serviço, ong´s, pessoas autônomas, que movem um outro Brasil, sem verbas de gabinete ou via emenda parlamentar, em ações desenvolvidas em sala de aula, com certeza por seus mestres e professores. O Orgulho Brasileiro ainda existe! Está lá, machucado de uma certa maneira por escândalos de corrupção, vantagens ilícitas, mau uso do dinheiro público, acordos políticos partidários de gabinete e uma infinita série de acontecimentos, que vemos, ouvimos, lemos, tuitamos, enviamos feed´s via facebook, enfim. Mas, desnecessário é, o oportunismo que governos municipais fazem de datas cívicas como o 7 de setembro, em pôr na rua, seu aparato político e governamental, como se quisesse dizer para a sociedade: "Vejam tudo o que fizemos com o dinheiro de vocês!", portanto: "Não esqueçam, viu?". Os protagonistas desta história são outros. São incontáveis as vezes que muitas pessoas deixaram de ser contempladas com um serviço público municipal de qualidade e eficiente, como previsto no Artigo 37 da C.F, já mencionado. Agora, apresentar a logística, às custas de sensibilizar a nação local, criando um marketing às avessas, ou goela abaixo: desculpe, mais descumpre o princípio do bom senso, da moralidade e da impessoalidade. Os serviços públicos e, aqui, fico somente nos locais, na região, se fossem bem vistos, bem aceitos pela população, por sí só, já se justificariam e estariam estampados nos rostos de quem um dia perdeu um ente próximo por falta de uma ambulância, de um medicamento, de um médico, de um exame, pela falta de uma lâmpada em sua rua, de uma avenida mal sinalizada, etc...das negligências contadas e documentadas nos telejornais. Todavia, carecendo de uma série de ações mais efetivas, como de saúde pública, limpeza urbana, urbanização, ações sociais, de emprego e de lazer, roubar a cena das crianças e do trabalho árduo de professores e de entidades, que tem nesta vitrine do civismo a chance de mostrar aos pais, bem como, a sociedade, tudo que é possível e impossível de ser feito em sala de aula, diante de salários indignos, desqualifica a iniciativa dos governantes que, há cada quatro anos, experimentam o gostinho do Poder, se apaixonam, mesmo que a estrutura esteja falida, para concretizarem desejos pessoais, driblando a sociedade e impressionando a concorrência, mesmo que por pouco tempo.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Liberdade de expressão e redes sociais sob alerta


Liberdade de expressão e redes sociais sob alerta

Longe de querer resgatar a história do surgimento das redes sociais, seus usos e aplicações, na contemporaneidade. Quero destacar neste artigo, que estas ferramentas de relacionamento, que tem no ciberespaço, através da rede mundial de computadores, o universo particular de expressão, como o Twitter, popularizado há menos de cinco anos pelo maior marqueteiro, na ocasião, o presidente norte-americano, Barack Obama, estão sendo acusadas por políticos de governos de esquerda e de direita, sem precedentes, como as algozes das rebeliões, tumultos, em seus paises.
Não é de hoje que vemos a perseguição aos meios de comunicação, sobretudo, aos jornalistas, desencadear a sanções intimidatórias. Vide os recentes conflitos, nos paises do Oriente Médio: como na Síria, por exemplo, onde os jornalistas não estão autorizados a entrar e registrar, apurar e relatar para o mundo, as atrocidades na qual o povo está sendo submetido.
Lá, a não ser pela intervenção “secreta” e corajosa de anônimos, via telefones celulares com câmera, e sob bombas, o mundo consegue ver o quanto as ditaduras abusam do poder e submetem as nações aos direitos essenciais, em especial, o da liberdade de expressão.
Na Inglaterra as comunicações via redes sociais, estão a perigo. Os ingleses descobriram que fora por meio delas que as massas, protestaram em defesa de seus direitos de cidadania, após a Polícia agredir brutalmente um homem negro, sendo na seqüência, as massas, barrados à força, pela mesma Polícia inglesa.
Luis Fernando Veríssimo, em seu artigo, em Zero Hora, do dia 18 deste mês, página 2, questiona se este controle das redes sociais poderá render êxito de fato. “O monstro talvez não seja mais domável”, previu o articulista. E, talvez não o seja mais controlável, mesmo.
É bom que assim seja, pois, as redes sociais, assim como o direito de liberdade e de expressão, aqui no Brasil, preservados na Constituição de 1988, possibilitam que seus usuários interajam constantemente, sejam os produtores e geradores de conteúdo, adaptando os usos do sistema aos próprios interesses. Numa era em que as pessoas estão cada vez mais conectadas, plugadas, como queiram, em universos comuns, não há a menor razão e chega a ser detestável se compactuar com propósitos assim.
A maturidade quanto ao uso das redes sociais, talvez, mereça um aprendizado de seus usuários, contudo, elas já se mostraram, em tão pouco tempo, eficazes, tanto para o uso jornalístico, comercial, de relacionamentos, troca de amizades, e outros fins.
Na contramão da expansão das “praças digitais”, onde as comunidades têm acesso livre à internet, as redes sem fios, estabelecer controles virtuais e físicos aos conteúdos, cheira a conspiração das ditaduras contra o povo, puramente eleitor, sempre às espreitas de uma brecha na lei.